Naciones Unidas de las Letras UniletrasPrograma oficial Encuentro Octubre 16/30 2021Indice IlustradoTertulia Literaria Otra DimensiónPrincipios FundamentalesEstatutos*EMBAJADORES DE BUENA VOLUNTAD-ACADEMIA BOYACENSE DE HISTORIAMinuto de PoesíaActo de Fe Teatro webMensajes de opiniónAfiliación

JOAO.jpg

Sou João Marcos Dias Machado, nascido no dia 10 de outubro de 1999 em Itajai. Aos 5 anos, me mudei para Brusque onde vivo até hoje. Minha história com os livros se iniciou quando eu era bem pequeno com as leituras que minha mãe fazia das centenas de livros infantis que eu tinha. No ano de 2014, comecei a escrever contos e também romances que eu nunca acabei. No início de 2015 comecei a escrever trovas, e se eu tivesse uma escolha para fazer para a vida é nunca parar de escrever.

 Sam não sabia quanto tempo exatamente tinha de vida, mas sabia que morreria. O que poderia fazer? Tinha somente uma faca, e a vida de irmã corria perigo. Sam fechou os olhos. Não queria que a última vista de sua vida fosse aquelas criaturas horríveis. Já não sentia mais medo dos palhaços. A coulrofobia se transformara em ódio. Sentia as mãos rugosas o tocarem quando, de repente, escutou três tiros
  Sam não sabía cuanto tiempo de vida tenía exactamente, porque sabía que moriría. O, qué podía hacer?...

 

Assombração coulrofóbica

João Marcos Dias Machado

 

     Tudo estava silencioso. Ouvia-se apenas o ranger de passos no soalho. A menina de cabelos cacheados repousava sobre a cama. Era a única acordada na casa. Clak. O barulho dos passos aumentava.

     A sombra pela fresta da porta indicava um ser corpulento. A maçaneta começou a girar lentamente e abriu-se com um estrondo. Olhos profundos fitavam-na. Em sua boca um emaranhado de dentes afiados, como lâminas feitas para matar, formava um sorriso penetrante.

     A menina, apavorada, pensava: Morrerei. O frágil coração acelerava cada vez mais enquanto o misterioso ser, que acreditava ser um palhaço, aproximava-se. Seu corpo estava tomado pela adrenalina. Queria fugir, mas nada poderia fazer se não ficar parada e esperar a morte eminente.

     Quando se deu conta, o monstro já estava em sua frente. Sentia-se a profunda respiração que exalava um odor de enxofre. As mãos da criatura frias e rugosas, de repente, agarraram-na.

     - Filha!!!, o que aconteceu com você? Por que está tão suada? Continua a ter pesadelos? - Uma infinidade de perguntas fez Katie, uma mãe ainda jovem que com seus 19 anos tivera seu primeiro bebê. Mãe de uma família de classe média, sempre foi preocupada com o bem-estar de seus dois filhos: Sam, de 17 anos e Annie de 8.

     Annie era a única na casa que ainda não estava pronta. Toda sua família já havia preparado as malas para a viagem de férias. Sam, que arrumara sua mala no dia anterior, ajudava a irmã que escolhia com pressa as roupas que levaria para a cabana onde costumavam ir sempre que tinham tempo.

     Ao contrário da irmã, Sam odiava ir para lá passar as férias. Odiava o fato de ficar sem internet e sem amigos. Odiava os pernilongos que o picavam. Odiava tudo. Mas as férias não eram tão ruins, pois estava perto de sua família. Após o terrível acidente, Sam se aproximara de sua família mais do que nunca. Aos 16 anos atropelou um homem enquanto aprendia a dirigir. Depois de 20 km de perfeição ao volante, Sam via, diante de seus olhos, o homem morto sobre a rodovia.

     Enquanto arrumavam as malas, Annie contou a Sam que havia sonhado novamente com palhaços. Desde pequenos, Sam e Annie sempre dividiram o mesmo medo. Nos ponto de vista deles, os palhaços eram, na verdade, monstros malignos que ansiavam por sangue humano. Tudo por causa de um filme que haviam assistido quando eram pequenos.

     A viagem foi longa. Um acidente interditava a pista, de modo que a família ficou presa no congestionamento. No rádio, as notícias envolviam acidentes, roubos e assassinatos, mas uma particularmente chamou a atenção de Sam.

     "Na madrugada de ontem, uma criança de aproximadamente oito anos faleceu na própria cama. O motivo do óbito é desconhecido. Tudo o que se sabe é que o corpo se encontra em estado irreconhecível. Os pais da vítima, que estavam em casa, alegaram não ter notado nada de estranho. Não há sinal de arrombamento na porta".

     No pensamento de Sam, aquilo não se tratava de um simples assassinato como os outros, mas podia ser tudo fruto de sua imaginação. Afinal, pessoas morrem todos os dias por motivos inimagináveis. Mas a fobia falava mais alto. A menina fora certamente morta por um palhaço.

     O engarrafamento havia durado uma hora e meia. Pelo rádio, ouviram o motivo da fila que chegara à extensão de trinta e dois quilômetros: um jovem havia perdido o controle do carro e batera em outro violentamente. O jovem sobreviveu apesar de ter sofrido ferimentos graves. O motorista do outro carro morreu na hora.

     Eram duas da tarde quando chegaram à cabana. Toda a família estava morta de fome, uma vez que a viagem havia durado quase duas horas a mais do que o esperado. Ninguém havia levado nada para comer no caminho, afinal, não previram um congestionamento. A fome era tanta que Katie fez uma macarronada para que o "almoço" ficasse pronto logo.

     Não havia nada para se fazer na cabana. O único aparelho eletrônico na casa era uma TV antiga de vinte polegadas. O motivo de existir uma TV ali era que Paul, o pai da família, não ficava sem assistir ao jornal. Paul proibiu seus filhos de usarem celular, computador e jogarem videogame, com o intuito de que aproveitassem tudo o que o lugar poderia oferecer. Até a luz da casa costumava falhar nas noites.

     O dia passou muito rápido. Sam aproveitou a tarde junto de seu pai. Paul tinha uma apreciação tremenda por aquele local. Vindo de uma humilde família do interior, aproveitava os seus dias de folga para descansar de seu trabalho desgastante naquela cabana. Paul olhava fixamente com seus olhos castanhos para a bóia cevadeira, que afundara de repente. Ele conseguiu pescar dois peixes, os quais comeram na janta. Sam, seu filho, até tentou ajudá-lo, mas não era muito bom na pesca. Enquanto isso, Annie tentava ajudar Katie a fazer a comida, porém atrapalhou mais do que ajudou.

     Logo, já era noite. Paul fez, com auxílio de Sam, uma fogueira. Todos cantavam ao redor dela, quando o pai teve a "brilhante" ideia de contar uma história de terror. Para a sorte de Sam e Annie, o conto não era sobre palhaços. Porém, foi assustador o suficiente para deixar Annie apavorada e fazê-la chorar.

      -Basta, Paul! Não vê que deixou sua filha apavorada?! - exclamou Katie.

      - Mas não se pode falar nada! - retrucou o pai.

     O choro de Annie aumentou. A discussão de seus pais não ajudava em nada.

     De repente, toda a confusão foi silenciada por um ruído. Não eram os únicos daquela floresta. Os gritos de Annie se tornaram, naquele momento, soluços silenciosos. Se antes estivera com medo, agora tudo piorara.

     Nisso, um menino surgiu da floresta cambaleando. Estava todo ensanguentado e aparentava ter sido mordido. Logo, o garoto já aproximava-se quando, então, caiu duro no chão, em frente à fogueira.

     - Fujam! - disse a criança antes de dar o último suspiro e falecer na frente da família.

     Não se falava em outra coisa senão a morte na floresta. Após o ocorrido, chamaram a polícia que logo chegou, junto do carro da funerária. Segundo o necrotério, o jovem havia sofrido de um ataque de um ser não identificado, mas, devido à gravidade das mordidas, o mais provável era ter sido um ataque do mais feroz animal.

     Os únicos que discordavam do diagnóstico do corpo eram Sam e Annie, que acreditavam que o verdadeiro assassino fora o palhaço de sempre. Sam não conseguia parar de pensar nas últimas palavras do jovem. "Fujam". O que queria dizer aquilo? Por que deveriam fugir? Seriam eles as próximas vítimas?

     O dia seguinte amanheceu chuvoso. Se antes não havia nada para ele fazer, agora o ócio era ainda maior. Assistiu, sem outra opção, ao jornal com os pais.

     "-Estamos ao vivo com Greg Valdez, o adolescente que, ontem, atropelou um civil a 120Km/h na 192 avenue, o que ocasionou uma fila de trinta e dois quilômetros. Valdez, conte-nos a sua versão da história.

     - Socorram-me! Estão atrás de mim! Mataram minha família e agora vão me matar! Estão me seguindo! Minha vida está em jogo!

     - Mas diga-nos, quem está atrás de você?

     - Eu não sei! Parece um palhaço! Um canibal! Um maníaco!

     - E este é mais um caso de um maluco que esqueceu de tomar seus remédios. Julia Roberts, no jornal da manhã. É com você Albert.

     - Eu não sou louco! Eles vão..."

     - Esses jovens de hoje em dia... - falou Paul.

     - Mas, pai, e se o que ele disse for...

     - Cale a boca! Esse drogado não fala nada com nada! É só mais um marginal que quer se safar de um crime que cometeu!

     - Paul! - exclamou Katie. 

 


2ghandiunmundoserehace.jpg

Segundo Premio del I Congreso de EcuadorSemillas de Juventud -
 
UNILETRAS  UN MUNDO QUE SE REHACE
 
 
En la víspera de las noches fúnebres incesantes,
penumbras perpetuaban.
En las  alas de la sombría Anu,
sobrevolaba  en el mundo a causa de la melancolía.
Por proyectos que planeaba,
escoltaba, por un flanco, el desaliento.
Los astros le causaban agonía,la lluvia se armonizaba con la  misantropía.
Los hombres contemplaban un cielo de horror,
a los que clamaban por isonomía.
 Las cenizas del lirio y el llanto de los sanguinolientos ríos.
El mundo vivía en completo desorden,
Aní volaba al cielo para exaltar.
El encuentro con Sarayu, de espaviento,
Llevó el aurea del ave metamorfosear.
Las Sombras se convertían en luz,
la negritud desabrochaba a los campos de margaritas.
El ave que devastaba, traía tiempos de regocijo, .
Colores, bella ave! Una la que ya no fue santa.
Cante al Uirapuru, con jubilo en campos de paz.
Abraze a los hombres, en un coro unísono.
Pinte los ríos de verde-amarillo,
torne verosímil la más bella ilusión.
Resurge del miedo, la esperanza de paz.
Resurge del Anu, un mundo que se rehace. João Marcos Machado Días  Glosario:
Anu- AveUirapuru - Pájaro sagradoSarayu- Río Sarayu
Isonomía- Igualdad de derechos     
 
 
 UM MUNDO QUE SE PERFAZ
 
 
Nas vésperas das fúnebres noites incessantes,
penumbras perpetuavam.
Nas asas do sombrio Anu,
sobrevoava no mundo a causa da melancolia.
Por planos que pairava,
escoltava, ao flanco, o desalento.
Os astros causavam-lhe agonia,
a chuva harmonizava-se à misantropia.
Aos homens que ao céu contemplavam o horror,
aos que clamavam por isonomia.
As cinzas do lis e o choro dos sanguinolentos rios.
O mundo vivia em completa desordem,
Anu voava ao céu para exaltar.
O encontro com Sarayu, de espavento,
Levou à áurea da ave metamorfosear.
Sombras convertiam-se em luz,
negritude desabrochava-se a campos de margaridas.
A ave que devastava, trazia tempos gáudios, desfastios.
Colore, bela ave! Una o que já não foi santo.
Cante ao Uirapuru, jubile em campos de paz.
Abraça aos homens, em um coral uníssono.
Pinte os rios de verde-amarelo,
torne verossímil a mais bela ilusão.
Ressurge do medo, a esperança de paz.
Ressurge do Anu, um mundo que se perfaz.
 
 
 João Marcos Machado Días
 
Semillas de JuventudUNILETRAS


II 

 

Assombração coulrofóbica 

 

     Sam correu para o quarto. Odiava quando o assunto era atropelamento. Ainda mais quando seu pai, o único que não o apoiava, tocava nesse assunto.

     Era muita coincidência tudo naquela semana estar relacionado a palhaços. O sonho da irmã, a morte da menina, o atropelamento, o garoto da floresta e as últimas palavras: "Fujam". Quem seria o próximo a morrer? Sam? Annie? Sam não queria que ninguém morresse. Precisava dar um basta nisso.

     - Quando você vai? - perguntou Annie.

     - Assim que escurecer - respondeu Sam.

     - Mas você vai sozinho? Sabe por onde começar?

     - Vou tentar procurar por sangue no chão da floresta. Aquele menino deve ter marcado o caminho por onde passava com o próprio sangue.

     - Mas Sam! Ele mandou-nos fugir! Não vá atrás dele! Pode ser perigoso!

     - Eu preciso ir, Annie. Isso tem que acabar.

     Às oito horas, armado de uma faca de cozinha e com muito medo, Sam saiu de casa. Guiava-se com o auxílio de uma lanterna na escuridão da floresta. Foi difícil achar rastros de sangue da vítima do palhaço, devido à chuva, mas, tamanha era a dedicação, que conseguiu achar um caminho que levava a uma caverna distante. "Como é que o garoto conseguira andar tanto naquele estado?"

     De dentro da caverna, vinham barulhos agudos e irritantes, que conversavam em voz alta.

     - Você não faz ideia quão bom é o sabor de uma garotinha com medo!

     - Só não deve ser melhor que esse adolescente que eu trouxe! Ele até tentou dedurar-nos na TV mais cedo, mas quem acreditaria nele? Ha, Ha, Ha!

     Annie não pensara duas vezes. Assim que seu irmão saiu, o seguiu longe o suficiente para não perdê-lo de vista. Não poderia deixar o irmão sozinho. Iriam facilmente matá-lo.

     De repente, escutou um barulho atrás dela. Mãos brancas como luvas de látex a agarraram por traz. Annie até tentou resistir, mas era fraca demais.

     Se Sam antes achava que os palhaços eram malvados, agora tinha certeza.

     Sam sempre achou que a pior coisa que viria na vida era o homem atropelado no ano anterior, mas o que via naquele exato momento era pior do que qualquer atropelamento. Muito pior do que um filme de terror. Sam via, com seus próprios olhos, uma cena de canibalismo. A vítima era Greg, pelo menos parecia ser o garoto que naquela manhã havia sido entrevistado no jornal. O garoto que, assim como ele, havia atropelado um civil e tirara a vida de um inocente.

     Dois palhaços de aparência grotesca comiam pedaços do corpo como se fosse um churrasco. Sangue escorria por seus lábios vermelhos e pingava no chão de pedra. Seus afiados dentes mastigavam com facilidade pedaços de carne humana.

             - Carne humana acaba muito rápido! Parece que foi ontem que comemos aquela garotinha medrosa de oito anos... -disse um dos palhaços

De repente, um terceiro chegou com uma menina viva, que esperneava em seu colo.

     - Ouvi alguém mencionar "uma garotinha com medo?" - disse o palhaço que logo mostrou a caça.

     - Socorro! - gritou a menina, cuja voz era familiar à Sam. É claro que a voz era familiar! A garota que gritou era Annie.

     O certo a fazer naquela hora era pensar em um plano, mas quem agiria de forma racional em um momento como aquele? Ver a irmã esquartejada, e servindo de petisco àquelas criaturas asquerosas? Ver o sangue de sua irmã pingar no chão e aumentar ainda mais a poça que se formava? Em hipótese alguma! Agiu, então, conforme o instinto lhe mandava e saiu correndo gritando em direção aos palhaços. Ameaçados pela súbita aparição de Sam, os palhaços fizeram a irmã de refém.

     - Então você tem medo, Sam! Eu também não faria nada se fosse você. "Matar uma pessoa" é o suficiente, não acha? - disse o palhaço que segurava sua irmã.

     Era verdade. Após ter atropelado o homem, Sam entrou em choque e teve sempre o medo de que outros morressem por sua causa. Não queria que a irmã morresse, mas, como o monstro sabia que havia matado alguém?

     - Como você sabe disso? - perguntou Sam.

     - Você realmente acha que matou alguém? - respondeu o outro palhaço. - Nós matamos antes. Você atropelou um defunto!

     -Nós precisamos de carne humana para sobreviver. E parece que hoje teremos um banquete especial. - respondeu o terceiro monstro, enquanto se aproximava de Sam.

    

     Sam não sabia quanto tempo exatamente tinha de vida, mas sabia que morreria. O que poderia fazer? Tinha somente uma faca, e a vida de irmã corria perigo. Sam fechou os olhos. Não queria que a última vista de sua vida fosse aquelas criaturas horríveis. Já não sentia mais medo dos palhaços. A coulrofobia se transformara em ódio. Sentia as mãos rugosas o tocarem quando, de repente, escutou três tiros.

     Sam podia jurar que estava sonhando. E que a adrenalina fez tê-lo ilusões. Em hipótese alguma imaginava que o seu pai o livraria da morte.

     Assim que percebera a ausência dos filhos, Paul, rapidamente, fora procurá-los. A floresta poderia conter ursos, lobos e outros animais selvagens. Felizmente, chegara a tempo de salvar seus filhos do que quer os tivesse caçando.

     Os três tiros haviam acertado em cheio os palhaços que caíram no chão. Paul, Sam e Annie decidiram que o que acontecera ali não deveria ser levado adiante. Jamais deveriam tocar no assunto.

     Assim que amanheceu, a família voltou para casa e tudo voltou a ser como era antes. Sam se sentiu melhor por saber que, na verdade, não tinha matado ninguém.

     Certo dia, a família assistiu, unida como sempre, ao jornal da manhã, quando Albert anunciou.

     " Na manhã de hoje, uma menina, de aproximadamente nove anos, faleceu na própria cama enquanto seus pais dormiam. O motivo do óbito ainda é desconhecido. Tudo o que se sabe é que o corpo foi encontrado em estado irreconhecível. Os pais da vítima alegaram não ter notado nada estranho. Não há sinal de arrombamento na porta".    

Autor

João Marcos Dias Machado