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Biografia

Meu nome é Lara Fischer, tenho 15 anos, sou estudante, e de uma forma geral, a literatura esta presente em meu dia-a-dia. Digo isso já que gosto muito de interagir com o mundo ilimitado da expressão, através da escrita, e sendo assim, tento, toda semana, produzir algum texto, sendo ele uma charge, crônica, roteiro, entre outros. Comecei a me interessar por esse meio muito cedo, em minha 1° série do ensino fundamental, e desde então, me embrenho cada vez mais em páginas e grafite. Minha estrutura de texto preferida é o romance, com uma pitada de delírios poéticos, que falam sobre histórias turbulentas e com grandes reviravoltas. Espero e torço para que no futuro eu possa contar com grandes doses de páginas em branco e tempo para escrever, porquanto amo a literatura.

 

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Enfrentando o mundo de peito aberto
 
 
Desde muito nova, quando começava a aprender a dar voz a minha voz, com quatro, ou cinco anos, meu lado princesinha nunca esteve em evidencia,
assim como aquele clássico perfil de menina -roupa cor-de-rosa, lacinhos, babadinhos, sapatinhos- não se encaixava em mim.

 

 

Minha vida virou um inferno depois que comecei a usar sutiã. Você pode até achar estranho, mas o poder incorporado em um objeto, que tem por base o sentido que o homem atribui ao mesmo, é muito forte, ao ponto de mudar muitas vidas como aconteceu comigo. Mas além de mim, quantas mulheres já foram atacadas por esse mal, e nem ao menos se deram conta disso, com suas criatividades enfaixadas, segadas pelos modelos. Logo você entendera.


Desde muito nova, quando começava a aprender a dar voz a minha voz, com quatro, ou cinco anos, meu lado princesinha nunca esteve em evidencia, assim como aquele clássico perfil de menina -roupa cor-de-rosa, lacinhos, babadinhos, sapatinhos- não se encaixava em mim, uma vez que eu nunca gostei desses moldes, apesar de naquela época agir inconscientemente. Com o passar dos anos, minha essência -fugir dos moldes- continuou a mesma, contudo, o mundo ao meu redor exigia cada vez mais a igualdade, exigia, e ainda exigi que se entre na busca insana pela perfeição. E, dentro desse mar, você se leva pela correnteza, até que descobre que pode se levantar e ser mais forte do que a mesma; e foi o que tentei fazer.


Quando eu tinha, aproximadamente, dez anos, todas as minhas colegas já usavam sutiã, menos eu, e não fazia a menor diferença para mim, pois eu me sentia verdadeiramente bem. Todavia, a correnteza tentava me levar, e conforme o tempo foi passando, mês apos mês, fui me sentindo cada vez mais desconfortável com esse fato, a medida que todos passaram a enxergar em mim a diferença e querer impor suas estúpidas algemas. Foi assim que adquiri o maldito do sutiã, grande símbolo de feminilidade e fertilidade e beleza... palavras que se adequam perfeitamente a uma criança de dez anos. Alias, mal sabia eu que aquele era só o primeiro paço, já que, como que em uma cadeia de acontecimentos, tive que cada vez mais me aprofundar nesse mundo de comprovações,tais quais sempre cuidar do cabelo, fazer depilação mesmo que não necessário, usar perfumes, maquiagem, enfim, tudo que não fazia o menor sentido para mim, todavia que "mostrava" o quanto eu me encaixava nos padrões sociais e que merecia, portanto, ser tratada como um individuo pensante, Não tendo como fugir dos padrões quando tão nova, eles começaram a cada vez mais fazer sentido para mim, como se de repente, usar maquiagem fosse algo inerente e preciso da mulher, cortar e cuidar do cabelo fosse algo sagrado, e assim com todas as outras coisas; era o costume e a insistência pintando de branco algo podre.

Hoje em dia, refletindo sobre tais situações, vejo que, de uma visão ampla, é irritantemente normal a imposição de uma ideia sobre alguém que se julga não ter capacidade, como um animal de estimação, uma pessoa mais idosa, ou, no caso, eu. Percebi, também, que, apesar de ser agente dessa ideia opressiva, a sociedade contemporânea e atual não é sua criadora, levando-se em consideração que durante gerações, séculos, as pessoas tentam moldar as outras, já dizia "a Santa Inquisição".
Num misto de liberdade e rebeldia, gostaria de terminar contando que, felizmente, consegui soltar os grilhões e me guiar pelo que julgo ser certo,entre tanto isso não vai acontecer. Mas há de chegar o dia em que não só eu, como todos nesse planeta, levantarão a bandeira da revolução, e, com uma sinfonia de muito Raul Seixas, tiraremos o cabresto da inovação, criatividade, diferença, e cresceremos pela parte mais bela da sociedade: a singularidade.

 Lara Fischer



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